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Universidade e Movimentos Sociais Debatem os Impactos Socioambientais da Hidrovia Tocantins-Araguaia

  • Publicado: Quinta, 14 de Novembro de 2019, 17h47
  • Última atualização em Quinta, 14 de Novembro de 2019, 18h40
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Encontro acontece em Cametá e deve reunir pesquisadores e cerca de 120 lideranças dos movimentos sociais e sindicais da região

Debater o contexto dos grandes projetos na Amazônia, em especial dos impactos socioambientais da implementação da hidrovia Tocantins-Araguaia nas populações tradicionais ribeirinhas da região do Baixo Tocantins. Este é um dos objetivos do Encontro dos Povos das Águas dos Baixos Rios Tocantins que acontece desta quarta feira (14) até o sábado (16), no Seminário São Vicente de Paulo, em Cametá.
A iniciativa, organizada pela CUT Brasil, CUT Pará e Fetagri Pará, tem o apoio da Universidade Federal do Pará, através do Campus Tocantins. Sediado no município de Cametá, o campus possui uma atuação de mais de 30 anos na região, sendo o maior da Universidade em número de alunos.
“A Universidade Federal do Pará através do Campus Tocantins vive intensamente esta região. É uma região ribeirinha, é uma região de comunidades quilombolas. Você vai pra Baião, tem em torno 14 comunidades quilombolas, você vai pra Mocajuba em torno de 10 comunidades. Cametá outro conjunto de comunidades quilombolas. E as comunidades ribeirinhas. E este encontro vai possibilitar que nos reflitamos a nossa vida na Amazônia da qual a universidade faz parte”, completa Doriedson do Socorro Rodrigues, coordenador do Campus Universitário do Tocantins.
Doutor em educação, o coordenador explica que neste período de atividades, o campus vem lutando contra uma lógica de não possibilitar acesso aos filhos de trabalhadores estarem na universidade, formando uma massa crítica para atuar na região. Doriedson, também lembra os prejuízos que as populações locais já sofreram com a construção da Hidrelétrica de Tucuruí.
“A hidrelétrica causou sérios problemas para esta região. As populações saíram do seu espaço ribeirinho vindo para as cidades. As cidades não estavam preparadas como nunca estiveram preparadas para atender os trabalhadores. As comunidades ribeirinhas sofreram do ponto da vista da saúde psíquica e da saúde biológica de uma maneira geral”, lembra.
A Hidrovia
O projeto de derrocamento e dragagem do Rio Tocantins pretende torná-lo navegável o ano inteiro. Segundo o Relatório de Impacto Ambiental da obra, disponível no site do DNIT, ela está dividida em três trechos: 1) entre os municípios de Marabá e Itupiranga (52 km de dragagem); 2) entre Santa Terezinha do Tauiri e a Ilha de Bogéa (derrocamento de 35km); 3) entre os municípios de Tucuruí e Baião (dragagem de 125 km). O trecho 2 corresponde a localização do Pedral do Lourenço, uma formação rochosa que surge durante os meses de estiagem e impede a navegação.
O projeto atende principalmente ao transporte do minério extraído pela Vale no Estado. E está inserida na lógica que prioriza a utilização dos rios da Amazônia em detrimento ao povo da região, mas em benefício do grande capital, num crescente processo de privatização dos recursos hídricos.
O próprio Estudo de Impacto Ambiental da obra atesta. “Fica evidente a importância no transporte do minério de ferro, como principal produto movimentado na área de influência total, com participação acima de 70%, cuja demanda se origina do complexo minerário de Carajás, segundo Plano Nacional de Integração Hidroviário”.
O coordenador do Campus do Tocantins reforça que, assim como na construção da Hidrelétrica de Tucuruí, a hidrovia deve trazer grandes prejuízos para as populações locais. “Do ponto de vista científico, as primeiras análises mostram que uma hidrovia dessas, causa problemas nas margens dos rios. É nas margens dos rios que existem os camarões, que existem os peixes. Isso significa afetar a qualidade de vida que vivem na região. Por outro, lado afeta as condições de vida de todos os municípios que têm na agricultura, no extrativismo, na pesca artesanal o seu modo de existência. Ou seja, qual a finalidade deste projeto para região?” questiona.
Além de pesquisadores da Universidade, o Encontro deve reunir cerca de 120 lideranças de movimentos sociais e sindicais da Região Tocantina durante os três dias de atividades. A iniciativa integra um grande debate que a CUT Brasil, com o apoio da Solidary Center, entidade de cooperação sindical internacional que há 22 anos atua no país em apoio à luta dos trabalhadores do campo e da cidade, realiza sobre os impactos dos grandes projetos na Amazônia e a organização e mobilização dos trabalhadores.
“Temos várias expectativas com este Encontro. Uma é fomentar, fortalecer uma rede de lutas sociopolíticas na região. É integrar também a Universidade cada vez mais com as lutas dos movimentos sociais. Esta universidade tem uma perspectiva de contribuir com os processos de humanização de homens e mulheres e isso não se faz sozinho. Se faz integrado se faz com envolvimento se faz com a possibilidade de dialogar com os sujeitos que vivem cotidianamente. Somos gratos ao convite que parte das organizações de homens e mulheres da região”.

 

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